O felizardo (Quando chegou a minha vez )

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O felizardo

Esta era a imagem de um felizardo,

Minutos antes de cortar o cabelo,

Para não correr o risco,

De o levar completamente rapado.

 

Cabelo fino, que nem seda,

Loiro e bem cuidado,

Como qualquer rapaz da época,

Usava madeixa ao lado,

 

Vestia bem, diria que vestia à moda,

Calça apertada,

Com boca-de-sino,

De cinturão, fivela larga.

 

Para a família era o Bino,

No trabalho o apelido,

Para as garotas o fininho,

Seu nome próprio, eu não digo

 

Acabava de chegar de viagem,

E quando a casa chegou,

Devassa mas sem surpresa,

Uma missiva encontrou.

 

Para ir passar férias,

Com bilhete só ida,

E ainda recebia jorna,

Com educação física incluída.

 

Era tudo uma riqueza,

E até a roupa era dada,

E para não faltar nada,

Incluía cama e mesa.

 

E o destino, quem diria,

Um lugar digno de beleza,

Com seus barcos e sua ria,

A Veneza portuguesa.

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E a partir deste dia,

Viveu histórias da severa,

Entre maus e bons momentos,

Mas já mais voltaria a ser quem era.

 

Como nem todos os cristãos,

Merecem esta sorte que Deus lhe deu,

Era só para os mais devotos,

E afinal este devoto, “era eu “.

De Albino Lima

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Chegda a Lisboa a 6 de Agosto de 1973
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Tinha chegado de uma viagem vindo do norte da Europa.
Cheguei a casa e tive de voltar para Lisboa, para apresentar a missiva na companhia, pois já estava atrasado porque a apresentação era para ser no dia 5.
Foi um dia bastante corrido.
Quando regressei a casa alguém tirou-me  esta fotografia e de seguida fui cortar o cabelo.
Porque agora até é moda usar o cabelo cortado bem curto mas na altura, um dos castigos praticados nas forças armadas era uma carecada.
No dia seguinte, 7 de Agosto, rumei até à cidade de Aveiro.

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Tinha vindo de Antuérpia (Bélgica).

Esta também é uma história muito interessante.

Não é novidade para ninguém que por essa altura havia quem pagasse fortunas para fugir do país, para França e outros países do norte da Europa, com o intuito não só de fugir á miséria que se vivia mas principalmente fugir das guerras coloniais.

Pois a troco, já não me lembro quanto, alguém tratou-me de tudo, incluindo passaporte português, para ficar na Bélgica.

E quando já estava com a mala na rua olhei para trás e comecei a pensar que nunca mais poderia voltar a Portugal. Nessa maldita decisão voltei para bordo. Moral da história: se eu tivesse adivinhado que se iria dar o 25 de Abril teria sido um herói se tivesse ficado por lá.

 Mas muito embora me tenha saído muito cara esta decisão, se não fosse assim hoje não teria a oportunidade de contar todas estas histórias.

E hoje posso gritar muito alto a todo o bom português que não devo nada, mas mesmo nada a este país.

E tenho toda a autoridade para elogiar ou criticar as boas, as menos boas e as más coisas deste pais que eu amo. Porque se aasim não fosse, hoje tinha todas as condições para viver uma vida maravilhosa se quisesse viver no estrangeiro.


P-84= A 443


Sunday 13 March 2011 16:10 , em P O E M A S



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